A minha querida amiga Vera soube logo do que se tratava quando a enchi de informações sobre Meyer. Stephenie como agora a gosto de chamar. Perdi a tendência de a chamar de Meyer (o seu apelido), o que se deveu em parte por a ter "conhecido" (seria um sonho) através da leitura da sua biografia: A rainha do Crepúsculo. Afirmo deliciosamente que sou uma fã incondicional da Saga Luz e Escuridão, cuja leitura começou de uma forma pouco usual e violenta. O meu namorado diz-se apaixonado por Sétima Arte e, de facto, é o mesmo, tragicamente para mim que nunca terei coragem de acompanhar, em absoluto, mesmo que por muito esforço da minha parte, a sua mente vocacionada e direccionada para a cinematografia. É de tal forma interessante para alguém sonhador e, na maioria das vezes, tão ocupado com trabalho quanto eu, sair com uma enciclopédia ambulante que recita o nome dos autores com poupa e circunstância quando cita indeterminadamente filmes que nem sabia que existiam, que debate pretensiosamente os papeis do mais vil sujeito que interpretou a papel da quarta ou quinta personagem principal, e que, com um sorriso maléfico e tremendamente exuberante, faz desafios para eu adivinhar o nome de actores, músicas, filmes ou realizadores, ao mesmo tempo que debate o que receberá se não acertar. O cinema começou a fazer parte da minha vida como comer um hambúrguer da Lili todas as semanas, o meu namorado não deixa as coisas por meias medidas senhores, algo que me fascina, e que fez as idas a estreias, e o meu gosto enorme por cinema mais patente na minha viga vulgar, algo que a minha personalidade recebe com muita honra e deleite. Um noite como outra qualquer, o Peter (como lhe chamo sempre) perguntou-me algo que se viria um dia a arrepender: "Tabita gostas de Twilight?". Aquele novo som não era muito desconhecido mas sabia lá eu o que isso significava, ingénua como sempre. Logo, apercebeu-se de algo: eu nunca tinha visto Twilight... Uma semana depois girou a sua colecção de DVDs pessoal e entregou me um DVD para as mãos: "Tabita não tenho o primeiro, mas tenho o segundo filme." Lembro-me ainda da minha posição e de levar o DVD para casa não entusiasmada nem curiosa, apenas mais um filme interessante. Saberia lá eu que começaria naquela noite uma paixão escondida, um obsessão enorme, a minha primeira dedicação a uma pessoa como Stephenie Meyer. O Pedro lembra-se também disso, como direi mais à frente. Comecei com o primeiro filme, Crepúsculo, deduzindo que não tinha noção primeiro ver o segundo sem ver o primeiro. Era madrugada, por volta da uma hora, de um domingo para uma segunda. Vi Crepúsculo seguido de Lua Nova, sem dizer palavra, sem reacção. Quando o Pedro se levantou às seis horas da manhã, mandou mensagem de bom dia como sempre (estava a fazer recruta o que obrigava a que se levantasse todos os dias a essa hora e nunca as mensagens eram de bom dia, o meu passarinho sempre arranjou formas de escrever mensagens muito típicas e diferentes) e ainda hoje fala da primeira vez que lhe respondi passado segundos... Tinha ficado toda a noite presa ao ecrã do meu falecido computador, absorta, presa a uma realidade muito diferente da minha, que instantaneamente me prendeu, irrevogavelmente! Corri para a Fnac e comprei Amanhecer, o quarto livro da saga e último sem esperar para ver Eclipse, sem ler Eclipse, sem ler o livro dos filmes que tinha acabado de ver... Queria ler o fim, queria ver a história, queria devorá-la... Em três dias e meio acabei o maior livro da saga. Ri, sorri, chorei, agarrei-me a ele como se fosse eu própria uma personagem. Foi o melhor livro que alguma vez li. Desde sempre fui uma leitora compulsiva, a minha mãe sempre me elogiava a ler, coisa que eu adorava desde pequena. No meu escritório ainda jaz colecções inteiras que devorei em meses, comédias, diários, infantis e policiais. Ocupam parte significativa da estante e gosto de o gabar a convidados. Lembro-me de outro episódio que passei depois de ler Amanhecer. Depois de muito deambular pela Internet à procura de mais informação, que, por mais pequenina que fosse, esquentava o meu coração e o metia eufórico, decidi que gostava demasiado de Bella para a deixar já. Corri para a Fnac de novo e procurei a prateleira dos livros de Stephenie. Ainda me lembro onde estava (agora mudaram de sitio, apreciava o antigo). Ocupava duas prateleiras inferiores do primeiro balcão dos livros de ficção. Sentei-me no chão e, como se tivesse numa mercearia a escolher fruta, comecei a pegar um de cada. Nómada, Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Biografia... Lembro-me de os carregar pela Fnac até que me fartei e fui buscar um cesto (algo que também mudou entretanto). Não conseguia mais com o peso, os livro enrolados nas minhas mãos davam-me pelo pescoço e as pessoas olhavam-me como se fosse mais uma adolescente perdida nos seus muitos problemas existenciais. Com orgulho, sai de lá com um saco pesado em cada mão e fui para casa... Comecei a ler. Nunca mais fui a mesma nesses dias seguintes, a minha vida girou a volta da vida de Bella e lia até quatro e cinco de madrugada, sentia as mesmas emoções descritas em Bella, cheirava os mesmos lugares, ria-me de Jacob, sorria com Edward. Vivi apaixonada por Edward em Crepúsculo, chorei com Bella em Lua Nova, ri-me do beijo precipitado de Jacob com Bella em Eclipse. Acabei a saga Luz e Escuridão numa semana. Nunca mais deixei de admirar Stephenie Meyer - a escritora da saga e mãe calorosa de três filhos. Depois de ler o manuscrito perdido de Minight Sun que a minha amiga Vera e, maior fã que eu, me cedeu em português, e depois de repetidas leituras das minhas partes favoritas de todos os livros da saga até à exaustão, dediquei-me à fonte de tal inspiração. Alguns dados que gostaria de partilhar sobre Stephenie são ela como uma pessoa formidável, de grandes princípios morais (o que se denota na saga), uma mãe simples e dedicada. Toda esta fama começou com um sonho... E mais não digo pois quando terminar o livro, a sua biografia, terminarei também o meu texto... Até lá um caloroso obrigada Stephenie por me contagiares pela tua visão.